18 Jan 2017

O meu desajuste social

Oh Álvaro, se tu não és nada, eu então muito menos sou. Provavelmente nunca serei, nem posso querer ser. À parte disso, tenho em mim muitos dos defeitos do mundo.
Sou mediano em mim. Morno como a sopa dos velhos. Médio como a rotina. O meu ar condicionado não se transpõe do dois e meio, e não tenho intropatia para os 'flirts' das discotecas chiques, independentemente da capital europeia em que se inaugurem. «Ser César para ser César» e eu, mando César à merda.
Ainda não foi engendrado Anti-histamínico capaz, que me desate desta alergia repulsiva a locais apinhados de pessoas que todas juntas tenham um Q.I. do Love On Top.
É esta a minha ineptidão social. Arrogantemente me avoco um amputado que sofre em cada palratório de café as dores que essa excisão me regamboleia. Vivo com o meu GPS interno danificado. Ele só conhece uma morada - Longe. Obriga frequentemente a bateria e instruções, mas ninguém as sabe inserir.
«Feche os olhos, chegou ao seu destino», diz-me.
Faço a cara n.º 72 de quem se agrada e finge compreender tanto desconchavo, mas dou um pulo quando me assusto ao berro do indivíduo na bomba de combustível com um fato de treino do Benfica, aberto e a ostentar os pêlos já brancos, no peito. Não articulo aquela língua, e agora já sou burro velho. Não aprendo da mesma forma que não se pode compelir um surdo a ouvir.
Depois vem a desonra da sensatez perante a potência e celeridade de alastramento do disparate. É a injustiça social no seu expoente. É um Vaivém especial Kamikaze que aborta a missão no meu lóbulo frontal. Despenha-se e nem a caixa negra se aproveita do que escuto. Era matéria para mais sete Dissertações e nove Teses.
Talvez seja isso mesmo. «Feche os olhos, chegou ao seu destino».

13 Jan 2017

Livraria Lello - 111 anos

Cento e onze anos de um paraíso na terra. Viagens ao sonho e Éden. Cento e onze anos de um local onde sempre se antecipa a vida, onde em silêncio e só, nunca sozinho. Cento e onze anos de local de culto, de conversas com o passado, vivências no presente e sorrisos no futuro. Cento e onze anos de onde se compra o fermento que engrandece a alma. Armas sem licença.

3 Jan 2017

Meu inicio de ano - Acidentado

Ontem pelas 13 horas vinha do Parque das Nações quando fui atraiçoado pela chuva misturada em óleo, e no túnel do Aeroporto para o Eixo Norte-Sul, dei dois piões e embati no muro deste com alguma violência e estrondo.
Foi uma inauguração em acidentes de viação que espero não repetir. Não são momentos agradáveis. Em rápidos cinco segundos perdi a ideia que «Só acontece aos outros», por isso tenham cuidado. Os carros podem ser armas.
Resultado, danos naturais na viatura e um traumatismo de pulso esquerdo aberto.
Oh Ano Novo, já me deste o bastante para o resto do ano.
Tu não me lixes, 2017.

23 Dec 2016

Só para quem goste da animais

A Assembleia da República aprovou hoje uma alteração ao Código Civil (C.C.) que tenderá a atribuir um instituto intermédio entre pessoas e coisas (objetos), aos animais. Sem lhes ser naturalmente conferida uma personalidade jurídica, Cfr. art. 66.º do C.C., tornam-se aparentemente sujeitos susceptíveis de (algumas) relações jurídicas.
Por sua vez, chumbou a proposta de lei que pretendia alterar a lei de 2014 relativa aos maus tratos dos animais, que se diga, escora graves erros legislativos no que concerne à definição de «Animais de Companhia», Cfr. art. 389.º do Código Penal (C.P.), levando a sistemáticos arquivamentos de 90% dos processos.
Actualmente, entende o Art. 389.º do C.P., que exclusivamente sobre os «Animais de Companhia» se aplicará o crime de maus tratos consagrado no disposto do art. 387.º n.º1 do mesmo diploma. Existe actualmente uma recusa ideologicamente musculada em alargar a protecção contra maus tratos a outros animais que não os de companhia e/ou alterar o conceito destes.
A informação científica hoje disponível, não sustenta que um gato ou um cão sejam mais sencientes e tenham maior capacidade para experimentar dor e sofrimento do que um porco, um cavalo, um bovino ou um corvo. Mas nesta senda de raciocínio, onde ficavam as touradas? Um problema ideológico, como frisei.
Hoje aprovou-se uma alteração ao C.C., e agora em casos de divórcios, não mais poderei observar o cão ou o gato como o sofá ou a televisão, para efeitos de partilhas. Faz sentido.
Contudo, perdeu-me mais uma vez, a oportunidade de conformar a lei penal, na parte respeitante à protecção dos animais, com a Constituição, o que é insistir no erro e eternizar parte dos problemas, criados pela legislação vigente.
Por exemplo, é lamentável que nenhum dos dois projectos contemple os maus tratos psicológicos nem os danos à saúde. Repete-se assim o erro da legislação em vigor. O stress intenso e as deficientes condições de alojamento são responsáveis por patologias graves e comportamentos anómalos como a automutilação.
A punição do recurso a animais para práticas sexuais – que já é crime em países como a Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Holanda e Noruega – também não está prevista.
Mantêm-se impunes actos de violência contra animais na posse de humanos que não sejam de considerados «Animais de Companhia».

21 Dec 2016

Educação para a abstinência sexual nas escolas?

Quando era mais novo não apreciava especialmente a «fanfarra dos bombeiros». Achava a música uniforme e repetida. Contudo com o tempo ganhei alguma consideração não pela música, mas pelo facto de enquanto o Corpo de bombeiros desfilava pelas avenidas com o seu compasso musical tão próprio, significava então que não haviam incêndios por extinguir, pessoas por auxiliar, e isso tranquilizava-me o espirito de algum modo.

Nessa perspectiva, também me sinto pretensioso por viver num país onde os dilemas fracturantes deste são tão periféricos e estreitos que se permite que uma juventude partidária se possa debruçar sobre a «Educação para a abstinência sexual nas escolas».
Que orgulho sinto...

16 Dec 2016

Uma semana à Sporting

Depois dos já imensamente conhecidos «Quinze minutos à Benfica», eis que surge de rompante a nova patente que se regista como «Uma semana à Sporting».

1. Perde o Dérbi.
2. Perde a oportunidade de se tornar líder.
3. Fica a cinco pontos do líder.
4. Passa para terceiro lugar.
5. Vê o caso dos vouchers ser arquivado.
6. Perde com o Legia de Varsóvia e fica fora da Liga Europa.
7. Perde o recurso no Tribunal, e está obrigado a pagar mais 16,5 Milhões de Euros à Doyen.
8. Vê a suspensão de Luis Filipe Vieira como uma vitória, mas acaba revogada – Suspensivo.
9. Perde 4 campeonatos, sendo colocado no seu devido lugar, pela Federação Portuguesa de Futebol.
10. Entretanto o Bruno de Carvalho dá uma entrevista onde explica que todos os pontos acima descritos, são sempre culpa do mundo. Nunca do Sporting. É do árbitro, do clima, do piu-piu, do país que temos, do Benfica, das cartolinas atómicas de destruição maciça, dos outros... Nunca do Sporting.


Bom Natal a todos, por acreditarem!

14 Dec 2016

JÁ ME CANSA SÓ ACREDITAR NA HUMANIDADE QUANDO CAIEM AVIÕES

Há pessoas que porfiam em permanecer imundas. Sim, tenho percepção que a expressão é pesada, mas aquele não tão estreito e infeliz grupo de pessoas que se regozijam em observações ignóbeis com as notícias do estado de saúde do Dr. Mário Soares, mantém-me a teoria que ainda coabitamos por cá com Neanderthalensis.
Por muito que nos separem as ideologias distintas, nenhuma dessas nos obriga a desvincular da inteligência e humanidade. É só isso que falta. Humanidade.


Já me cansa só acreditar na humanidade quando caiem aviões.